o meu lado

eu estou aqui

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Sonhos são as armas mais perigosas que um indivíduo pode usar contra si mesmo

Não falo dos sonhos inspiradores, dos quais alguém acorda pronto para escrever um livro ou uma canção.

Nem dos visionários, que motivam pessoas ordinárias a tornarem-se grandiosas.

Falo dos sonhos delusórios. Dos que são muito mais interessantes que a vida de qualquer indivíduo no mundo inteiro.

Que contam histórias que ninguém viveu até hoje, ou que fazem voar parecer completamente possível.

Esses sonhos em particular têm um efeito colateral terrível:

Quem é seduzido por esses sonhos não consegue perceber que está vivo. Não consegue se lembrar do que fez há 30 minutos atrás. Não dá importância as coisas verdadeiramente importantes, e seus sentimentos são apenas reflexos condicionados que ele ou ela adquiriu com o tempo.

Perde-se a noção do que realmente importa. Ganha-se a consciência de que não somos realmente nada num universo tão grande.

A ignorância é uma bênção, e os sonhos delusórios nos esclarecem, acima de tudo, sobre o que somos.

E quando se dá conta do quão pouco isso pode ser, a vida perde seu motivo. E sem motivo, nada consegue existir.

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Gourmet

Essa textura gordurosa deve combinar com uma cervejinha

O problema… ah, não quero reclamar… mas comer só yakisoba e gyoza…

É meio sem graça.

Ah… arroz branco…

Se tivesse uma porção de arroz branco e oshinko aqui…

Quem mandou eu ser um japonês que não sabe beber?

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Incógnita

Chega o momento na vida de cada um de nós (talvez até mais de uma vez) em que nos perguntamos o que há de errado conosco.

Que poderia ser essa necessidade, essa sensação de corrosão que nos destrói por dentro sem se apresentar ou despedir?

Encontro-me na situação de não saber o que me mata, o que causa tal abstinência: Pois sim, o vício não é tão ruim comparado ao desconhecimento da substância, da sensação, da vontade. E por experiência própria, descubro que é possível viciar-me no desconhecido.

Quantas noites mais eu passarei esperando por uma resposta? Se é que posso encontrar alguma apenas esperando: definitivamente não posso fazer outra coisa. Perseguí-la é condenar-me a perder o pouco que percebo possuir.

Não sei mais despir-me. Nem mesmo quando estou sozinho. Penso já ter perdido tudo o que me tornava vivo. 

Encontro-me só, entre todos: Não vivo, apenas existo.